O teatro surge a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades.
O homem primitivo era caçador e selvagem, sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva.
Eram umas espécies de danças dramáticas coletivas que abordavam as questões do seu dia a dia, uma espécie de rito de celebração, agradecimento ou perda.
Estas pequenas evoluções se deram com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela.
Os ritos começaram a evoluir, surgem danças miméticas, os homens praticam a MIMESIS (mímica) e as mulheres cantam.
Com o surgem da civilização egípcia os pequenos ritos se tornaram grandes rituais formalizados e baseados em mitos (histórias que narram o sagrado do mundo.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
História do teatro
O teatro surgiu a partir do desenvolvimento do homem, através das suas necessidades. O homem primitivo era caçador e selvagem, por isso sentia necessidade de dominar a natureza. Através destas necessidades surgem invenções como o desenho e o teatro na sua forma mais primitiva. O teatro primitivo era uma espécie de danças dramáticas colectivas que abordavam as questões do seu dia a dia, uma espécie de rito de celebração, agradecimento ou perda. Estas pequenas evoluções deram-se com o passar de vários anos. Com o tempo o homem passou a realizar rituais sagrados na tentativa de apaziguar os efeitos da natureza, harmonizando-se com ela. Os mitos começaram a evoluir, surgem danças miméticas( compostas por mímica e música). Com o surgimento da civilização egípcia os pequenos ritos tornaram-se grandes rituais formalizados e baseados em mitos. Cada mito conta como uma realidade veio a existir. Os mitos possuíam regras de acordo com o que propunha o estado e a religião, eram apenas a história do mito em ação, ou seja, em movimento. Estes rituais propagavam as tradições e serviam para o divertimento e a honra dos nobres. Na Grécia sim, surge o teatro. Surge o “ditirambo”, um tipo de procissão informal que servia para homenagear o Deus Dioniso(Deus do Vinho). Mais tarde o “ditirambo” evoluiu, tinha um coro formado por coreutas e pelo corifeu, eles cantavam, dançavam, contavam histórias e mitos relacionados a Deus. A grande inovação deu-se quando se criou o diálogo entre coreutas e o corifeu. Cria-se assim a acção na história e surgem os primeiros textos teatrais. No ínicio fazia-se teatro nas ruas, depois tornou-se necessário um lugar. E assim surgiram os primeiros teatros.
Essa posição crítica é , no fundo , uma tentativa de volta ao passado . Contemporâneo das modificações operadas na sociedade portuguesa em função do desenvolvimento comercial gerado pelas conquistas ultramarinas , o espírito medieval de Gil Vicente não encontra lugar na nova ordem que se vai construindo . Daí seu ataque ferino a todas as classes sociais , que são chamadas a uma reconsideração de atitudes e valores . Embora vivendo em pleno Renascimento , para Gil Vicente o homem não era a medida de todas as coisas . A concepção teocêntrica da vida e a fidelidade aos valores espirituais ainda norteiam sua visão crítica. Como bem resumir a estudiosa Carolina Michaëlis , "além de poeta , Gil Vicente era pensador , e era cristão de fé medieval . Colocado nos umbrais do tempo moderno , emancipado , e só de leve atingido pelo bafo humanista do Renascimento com seus gozos intelectuais e aristocráticos , ele tinha sempre em mente o mundo do além ; preocupava-se com a salvação da alma e o bom emprego de cada dia do capítulo da vida que passamos neste mundo terrestre . Tinha simpatia pelos humildes , ingênuos e perseguidos ; antipatia pelos prevaricadores e devassos . "
A CRÍTICA RELIGIOSA E SOCIAL
Pode-se dizer que o teatro popular de Gil Vicente expressa uma visão extremamente crítica da sociedade da época .
Sem fazer distinção entre as classes sociais , coloca o autor em cena os erros e vaidades de ricos e pobres , nobres e plebeus ; censura a hipocrisia dos frades que não fazem o que pregam ; denuncia os exploradores do povo , sejam eles juízes ou sapateiros ; desnuda a imoralidade das alcoviteiras e satiriza os velhos sensuais ; ridiculariza os supersticiosos e os charlatães . No conjunto , seu teatro apresenta um vasto painel crítico das classes sociais do fim da Idade Média portuguesa . Tentando alcançar a consciência de cada homem , Gil Vicente deixa explícito em suas peças que seu objetivo não é apenas divertir mas sim destacar os vícios de uma sociedade cada vez mais materialistas e corrupta para reconduzi-la ao caminho do Bem .
Sem fazer distinção entre as classes sociais , coloca o autor em cena os erros e vaidades de ricos e pobres , nobres e plebeus ; censura a hipocrisia dos frades que não fazem o que pregam ; denuncia os exploradores do povo , sejam eles juízes ou sapateiros ; desnuda a imoralidade das alcoviteiras e satiriza os velhos sensuais ; ridiculariza os supersticiosos e os charlatães . No conjunto , seu teatro apresenta um vasto painel crítico das classes sociais do fim da Idade Média portuguesa . Tentando alcançar a consciência de cada homem , Gil Vicente deixa explícito em suas peças que seu objetivo não é apenas divertir mas sim destacar os vícios de uma sociedade cada vez mais materialistas e corrupta para reconduzi-la ao caminho do Bem .
A História de que falamos, é a que define Aristóteles na Poética (1451b), é essa que Gil Vicente entendeu oferecer-nos com os seus Autos. Ele é um poeta no sentido dado pelo filósofo da Poética, quando diz que: A distinção entre o historiador e o poeta não está no facto de um escrever em prosa e o outro em verso; podemos transferir para verso a obra de Herodoto, e ela continuará pertencendo à disciplina de história. A diferença reside em que, um relata os factos sucedidos, e o outro inventa o sucedido, pelo que podia ou devia suceder. Daí que a poesia, [a Arte] seja mais filosófica [tal como na visão dialéctica de Platão] e de maior dignidade que a história, posto que as suas proposições são mais do tipo universal, enquanto que as da história são apenas particulares. E Gil Vicente é pela Comédia, embora as técnicas da tragédia estejam presentes nas suas obras, pela comédia, pelo facto de as coisas terem acontecido [os factos históricos já sucedidos], torna-se evidente que eram possíveis de suceder, pois não teriam ocorrido se fossem impossíveis (...), assim não é necessário que se limite às histórias tradicionais como na tragédia.[p.216-217, Auto da Alma de Gil Vicente, Erasmo, o Enquiridion e Júlio II... de Noémio Ramos]
Em suma, o trabalho de Gil Vicente é um trabalho que diz respeito e interessa a toda a Europa, é a História da Europa numa das suas épocas de ouro – a Renascença e a Reforma. Numa obra exemplar que surge oferecendo à alma complexa discursos complexos e com toda a espécie de harmonias, e simples à alma simples. [p.163, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos] Sublinhamos mais uma vez: o estudo de cada peça transporta-nos sobretudo para a literatura, a filosofia, as ideologias políticas e religiosas, para a História, o poder político e a correlação de forças sociais, económicas e políticas na época. O Poder na Europa é o traço comum deixado pelo autor em quase todos os seus autos. [p.164, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos]
Nunca um autor dramático colocou em cena tanta informação sobre a sua época, a época em que viveu, a luta ideológica do seu tempo e as perspectivas filosóficas, sociais e políticas, os conflitos de Poder que a cada passo vão sucedendo... [p.162-163, Gil Vicente e Platão, Arte e Dialéctica, Íon de Platão... de Noémio Ramos] Nunca um autor dramático soube tão bem representar o seu tempo como Gil Vicente! Criando e dizendo sempre o que muito bem quis, nas barbas do Poder Real e Eclesiástico. Não existe para ele um modelo, nem nenhum autor se lhe pode comparar. A sua obra é a melhor lição de liberdade intelectual, de Filosofia da época, das ideologias e da História, da História da Europa do seu tempo, da Renascença, a melhor (a mais Bela) que alguma vez poderemos vir a encontrar, e escrita com o desenrolar dos próprios acontecimentos.Infelizmente faltam alguns autos, entre seis, oito ou mais autos, que melhor completariam o traçado de continuidade (da História) na sua obra.
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